Ter segundo turno na disputa presidencial é uma característica das eleições no Brasil desde 2002.


Eu estou muito chocado com a falta de escrúpulo do Lula e do PT. É impressionante." A declaração de Ciro Gomes, candidato do PDT ao Planalto, durante a sabatina promovida ontem pelo programa CB.Poder, uma parceria do Correio com a TV Brasília, é uma resposta à ofensiva adotada pelos aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para atrair o eleitorado do ex-governador do Ceará, bem como da senadora Simone Tebet (MDB), na tentativa de encerrar a disputa no primeiro turno. É o que eles chamam de "voto útil".

Em outra frente, bolsonaristas ampliaram ainda mais os ataques aos institutos de pesquisas, justamente quando Lula volta a crescer nas sondagens eleitorais, fato confirmado em todos os levantamentos divulgados desde o início da semana. De Ciro Nogueira (ministro da Casa Civil) a Fábio Faria (Comunicações), passando pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que defende uma punição aos que "erram demasiado ou intencionalmente para prejudicar qualquer candidatura", é nítido o tom mais elevado de olho numa maior desconfiança da população.

Registre-se, no entanto, que tudo isso está dentro do script. Afinal, a nove dias do primeiro turno, a eleição está na rua. Bandeiras começaram a tomar conta das sacadas dos apartamentos das asas Sul e Norte, do Sudoeste, além de Águas Claras e Taguatinga. Carros com adesivos são cada vez mais comuns. É podem ter certeza que a panfletagem será bem intensa em bares e pontos de encontro da sociedade civil durante o fim de semana. É a hora da definição do voto, principalmente no plano local, com a escolha dos candidatos para federal e distrital (no caso das demais unidades da Federação, deputado estadual).

Até o domingo da semana que vem, serão mais dois debates entre os principais candidatos à Presidência da República. O primeiro é o do SBT, no fim da tarde de amanhã. O outro, o da Globo, na noite de quinta-feira próxima. Lula só participará do segundo. Entre os aliados do presidente Jair Bolsonaro, há a expectativa de que sejam os palanques ideais para recuperar o eleitorado perdido durante as viagens internacionais a Inglaterra e Estados Unidos.

Se a eleição vai terminar no primeiro turno, tudo não passa de uma grande especulação. Todos os candidatos apostam em ondas eleitorais, que ninguém sabe quando começam nem se tem a garantia que vão existir. O certo é que a tensão eleitoral está em alta e deve se amplificar nos próximos dias. Mas lembro que ter segundo turno na disputa presidencial é uma característica das eleições no Brasil desde 2002. Afinal, só em 1994 e em 1998, nas vitórias de Fernando Henrique Cardoso, os eleitores não voltaram às urnas para uma nova rodada de votação. Em 2022 será diferente? Qual seu palpite?


Roberto Fonseca - CB


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